Na época romana, a área que viria a formar a freguesia de Sangalhos fazia
parte do território da cidade de Talábriga (Marnel, Lamas do Vouga). Na idade
média, o concelho de Sangalhos pertencia à terra de Vouga, cuja sede, conhecida
como Burgo de Vouga, se situava também no Marnel. A partir do século XVI
pertenceu à comarca e provedoria de Aveiro. Com a reforma administrativa do
século XIX, a freguesia de Sangalhos foi integrada no distrito de Aveiro. Na
divisão religiosa, a paróquia de Sangalhos fazia parte do arcediagado de Vouga,
um dos arcediagados em que se dividia o bispado de Coimbra. Transitou para a
diocese de Aveiro, quando esta foi criada, no século XVIII (1774).
Nos séculos XII/XIII, Sangalhos era uma das principais vilas da região,
juntamente com Horta (Tamengos), Recardães e Óis da Ribeira. Em 1320, a igreja
de São Vicente de Sangalhos era a mais rendosa de toda a Bairrada e uma das
mais rendosas do Baixo Vouga.
Em 1220, a freguesia (paróquia) de Sangalhos compreendia os lugares de
Sangalhos (com dois polos: «Sancto Galios et alio Sancto Galios»), Avelãs de
Baixo, Sá, Casal da Rua e Saima. Os concelhos de Sangalhos e Avelãs do Caminho
já existiam na primeira metade do século XIV. Os respectivos forais manuelinos
foram ambos passados em 1514. Do ponto de vista religioso, no entanto, Avelãs
do Caminho fez parte da freguesia de Sangalhos até ao século XIX.
Em 1338, a terra de Sangalhos foi doada ao mosteiro de Santa Clara de
Coimbra, fundado pouco tempo antes. Esta instituição, que possuiu a terra durante
quase 500 anos, parece ter incrementado bastante o povoamento da freguesia. Surgem
então povoações como Amoreira da Gândara, Fogueira, Paraimo e São João, todas
já mencionadas no foral manuelino. Em 1623, o mosteiro trazia terras da renda
de Sangalhos aforadas a mais de 300 famílias ou indivíduos. A área total de
terreno aproximava-se de 2000 ha. Em 1720, para fazer a capela-mor da actual
igreja, gastou o mosteiro um ano de renda.
Sangalhos foi sede de uma capitania-mor (região militar) cujo território
abrangia várias freguesias dos modernos concelhos de Anadia, Oliveira do Bairro
e Águeda. Dividida em quatro companhias de ordenanças, era uma das mais
extensas capitanias-mores da região.Apesar de geograficamente ficar perto da
vizinha cidade de Oliveira do Bairro,administrativamente pertence ao municipio
de Anadia.
Com a revolução liberal (1820-1835), a doação de Sangalhos a Santa Clara
foi anulada e os concelhos de Sangalhos e Avelãs do Caminho foram extintos. A
organização militar das ordenanças foi também extinta, desaparecendo assim a
capitania-mor de Sangalhos.
Avelãs do Caminho constituiu-se em freguesia independente e foi desde logo
integrada no concelho de Anadia. A freguesia de Sangalhos foi integrada no
concelho de Oliveira do Bairro, depois no de São Lourenço do Bairro e,
finalmente (1853), no de Anadia. Em 1928, Amoreira da Gândara separou-se de
Sangalhos e formou também uma nova freguesia.
Apesar da perda da importância politico-administrativa, Sangalhos teve ao
longo do século XX épocas de grande prosperidade. Para isso muito contribuiu o
dinamismo dos habitantes, traduzido na criação de um grande número empresas,
com destaque para as indústrias de bicicletas, pioneiras em Portugal, as caves
e as cerâmicas. Graças a esse crescimento, Sangalhos voltou a adquirir o
estatuto de vila em 1985 (Lei nº 65/85, de 25 de Setembro).